IMAGO LISBOA PHOTO FESTIVAL

FAMILY IN TRANSITION
INAUGURAÇÃO: 01.10.2021
EXPOSIÇÃO: 02 — 31.10.2021

Prolongamento: 03 — 06.11.2021

BILHETES
2€

#fotografia #imagem #festival

A família na atual sociedade
A origem e definição da palavra família não é consensual Na wikipédia encontramos como significado, “um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais”. Parece-nos ser uma significação bastante abrangente e satisfatória no quadro das mutações da família contemporânea, contrariamente à definição sugerida por Claude Lévi-Strauss. Aquele antropólogo francês sugere que “a família nasce a partir do momento em que haja casamento, passando, portanto, a haver conjugues e filhos da união destes”. No nosso entender é um significado ultrapassado na medida em que o casamento, embora constitua um sacramento na maioria das culturas, e onde podemos incluir outros rituais de acasalamento, não representa mais a exclusividade da génese dos laços familiares. Com a evolução da sociedade atual, foram-se gerando novas configurações familiares. É verdade que as famílias monoparentais resultam maioritariamente da rutura de um casamento, mas também surgem da possibilidade da mulher gerar um filho de forma independente. Igualmente, a família arco-íris, constituída por um casal homossexual e que possui, ou não, uma ou mais crianças a seu cargo, não passa necessariamente pelo casamento.

Existe o estereótipo da família feliz, que coabita em harmonia, mas também existe a família disfuncional, ou aquela onde, por razões diversas, se geram ódios. Situações de disfuncionalidade são inúmeras, mas não resistimos a recordar a mitologia grega na figura de Erígone, filha de Egisto e Clitemnestra. Reza a lenda que, após Agamémnon ter ido para Troia, Clitemnestra, sua esposa, se torna amante de Egisto. Quando Agamémnon regressa, Egisto e Clitemnestra assassinam-no e depois casam-se. Os filhos de Agamémnon e Clitemnestra, Electra e Orestes, decidem vingar o pai e recuperar o reino, o que os leva a assassinar Egisto e a própria mãe. Mas o horror vai mais longe, quando Orestes viola a meia-irmã, a bela Erígone, por quem acaba por se apaixonar.

Assim, acreditamos de facto que no seio familiar, seja ele qual for, o denominador comum assenta, efetivamente, numa estrutura funcional que gere a interação de cada um dos seus membros.
Estamos conscientes de existirem muitas outras possibilidades de mapeamento das relações amorosas e familiares. Contudo, acreditamos que através desta narrativa se alcança matéria suficiente para discussão e reflexão em torno da temática eleita pelo festival.

Rui Prata


Selecionados:
Alla Dolgaleva - Echo of My Childhood
Annette LeMay Burke - Memory Building
Catherine Panebianco - No Memory is Ever Alone
Charlotta María Hauksdóttir - A Matter of Some Moments
Diana Velasco - Family Album II, 2018
Fred Hüening - Drei – Them and Me
Haakon Sand - Twins Forever
Johan Bävaman - Swedish Dads
Jorge Fuembuena- Wood Stories
Katrin Jaquet - Neg
Ksenia Kuleshova - Ordinary People
Schore Mehrdju - The Second
Simone Rodrigues - The Names of Love
Susanna Kekkonen - Family Album
Younes Mohammad - The untold story of families