AiR 2020 :: Zona Fronteiriça :: Camila Lobos Díaz

Exposição AiR Carpintarias 2020

Zona Fronteiriça :: CAMILA LOBOS DÍAZ

10 Dez - 14 Jan 2021

"Os limites geopolíticos (fronteiras), metaforicamente, são linhas de demarcação cultural, social e política, nas quais existimos apenas numa dicotomia, ou dentro ou fora. Neste cenário, parece urgente cultivar e praticar a sensação de pertença; caminhamos, movemo-nos, migramos....

Será que as nossas raízes estão apenas limitadas ao lugar onde nascemos? Os corpos são reais, enquanto as nações são convenções, separação ficcional arbitrária, criada através de linhas ficcionais em continentes, mares, corpos.

Zona Fronteiriça é um exercício de resistência, um espaço coral, íntimo, mas coletivo; caminhamos, movemo-nos, migramos, aterramos, mas nunca acabamos de chegar. O projeto foi possível através do apoio de cada um dos participantes nas várias fases deste projeto; onces, conversas, entrevistas, passeios. Muito obrigada por construir esta área fronteiriça, onde não obstante as nossas diferenças nos juntamos, nos tocamos, coabitamos, convivemos.

Obrigada Nida, Popi, Farhana, Thamina, Imran, Ali, Taufzil, Rabindra, Balde, Carlos, Sadja, Milan, Mostafa, Sufia, Ganesh, Rabin, Lakshmi, Ismail, Shabbbir, Demba, Mamadou, Shah, Wajeha, Jorge."

Camila Lobos Díaz, Dezembro 2020.

——

Dia 10 de dezembro inaugurau Zona Fronteiriça, a exposição e apresentação final da residência artística de Camila Lobos Díaz, artista chilena selecionada para a residência de Artes Visuais AiR Carpintarias, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Esta residência que acontece pelo terceiro ano consecutivo tem como objetivo ligar a comunidade multicultural vizinha das Carpintarias ao Centro Cultural e à arte contemporânea. Como leitmotiv serve a ideia e a reflexão acerca do conceito de comunidade. O que é ‘comunidade’ e como se constrói; como podemos construir ‘comunidade’ através da arte contemporânea?

A migração e a ideia de comunidade são temas centrais na prática da artista. O seu trabalho pretende tornar visível o contexto sociopolítico, explorando a relação entre poder e visibilidade e como a arte revela esses elementos e dinâmicas se encontram fora do nosso alcance. A artista aborda interações entre o espaço e as relações humanas – a micropolítica. Aprofunda a ideia de contexto como espaço simbólico, onde os projetos não são apenas instalados, mas também de lá emergem. Nesta residência desenvolveu uma investigação sobre a ideia de pertença nestas comunidades.

Zona Fronteiriça é uma instalação audiovisual resultante do exercício de recompilação das histórias que compõe a comunidade ao redor do projeto.