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Seminário de Residências Artísticas: Ponto(s) de Situação

Contextos, mapeamentos e estratégias de programação

19 — 20 MAIO 2022

11h — 18h

 

Acesso livre, com inscrição obrigatória.

Desde a eclosão dos programas de residência artística como fenómeno global na última década do século XX, tem vindo a confirmar-se a tendência de crescimento e diversificação deste modelo operativo no contexto (inter)nacional. O presente encontro, aberto à participação do público, procura convocar diversas vozes e abordagens, para um debate alargado sobre o panorama das residências artísticas em Portugal, refletindo o caráter multifacetado e polivalente dos diversos agentes e práticas mobilizadas em torno deste modelo.

 

Partindo de uma perspetiva histórica que permita contextualizar o panorama cultural e artístico português, procura-se ir ao encontro da afirmação contemporânea das residências artísticas, enquanto veículo privilegiado para a promoção da criação artística, mas também enquanto plataforma de intervenção política, económica e social. Nesse sentido, convidámos um conjunto de 12 oradores - investigadores, professores, artistas, curadores e (outros) representantes de instituições culturais - para um debate estruturado em quatro 4 painéis temáticos:

Co-Produção

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  1. Os artistas viajantes portugueses: da viagem humanista à viagem cultural;

  2. Genealogias e antecedentes da Residência artística em Portugal;

  3. Criação artística, Património e valorização dos territórios;

  4. Perspetivas artivistas: colaboração, intervenção e mobilização.

 

O seminário terá lugar entre os dias 19 e 20 de maio de 2022, nas Carpintarias de São Lázaro, com o apoio do Centro de Estudos e Investigações em Belas-Artes (CIEBA) - Universidade de Lisboa, Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) - Universidade Católica Portuguesa, Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e Academia Gerador.

A cada participante será atribuído um certificado de participação.

PONTO DE SITUAÇÃO insere-se no vetor de programação Gostaríamos de acrescentar das Carpintarias de São Lázaro.

Apoio

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SESSÃO DE ABERTURA | 19.05

11h30  — Das deslocações e das fixações dos artistas – porquê as residências?

 

Fernando Rosa Dias

Ao longo da história da arte sempre houve uma dialéctica entre a fixação do artista num lugar de trabalho, num estaleiro de construção ou num atelier, ou de deslocações, em função de trabalho, de formação, do prazer da aprendizagem da viagem, entre outras. Através de breves exemplos desta vasta dialéctica, mais completar que tensa, abordaremos algumas razões da necessidade actual das residências artísticas.

 

11h45  — Da arte ao património, do património à arte e assim por diante

 

Laura Castro

Breve reflexão sobre o modo como se relacionam arte e património, entendidos como práticas, entidades, instituições culturais que vivem em convergência, sobreposição, desafio, confronto, oposição, validação, estímulo. Quando a arte habita o património e o património habita a arte surgem como abrigos intermutáveis.

12h00  — Breves anotações para pensar a Residência Artística

 

Susana Gastal

Falar em <residência artística> supõe considerar, além do artístico, movimento e locus. O primeiro supõe a questão do deslocamento. O segundo reporta à mudança temporária de lugar. Se teóricos incluem como “residência artística”, por exemplo, a estada de Leonardo da Vinci no Vale de Loire, a convite, para ali criar livremente (Batista, 2008), a questão acirrou-se no contexto da arte contemporânea, com propostas em termos de mecenato privado e de políticas públicas. Postas estas considerações, o presente propõe trazer à discussão a Feira Anual de Artes Plásticas, promovida na cidade sul brasileira de Rio Pardo, durante a Semana Santa. Se nas primeiras edições (1974-1975) a presença de grupos de artistas se restringia a quinta e sexta-feira, em anos que se seguiram aumentou o número de dias de presença na cidade, ali realizando trabalhos nas técnicas de desenho, pintura e gravura.

12h30  — Artist-in-residence Carpintarias de São Lázaro

 

Fernando Belo

 


 

KEYNOTE | 19.05

 

14h  — O hóspede estrangeiro. Os Artistas Residentes nas escolas do Plano Nacional das Artes

 

Paulo Pires do Vale

 

Qual o lugar das artes e do artista na escola? A partir do filme de Pasolini, "Teorema", tentarei dar algumas respostas a esta pergunta, explicando o que propomos com a medida "Artista Residente" do Plano Nacional das Artes.

PAINEL 1 | 19.05

14h30  — Os artistas viajantes portugueses: da viagem humanista à viagem cultural

 

Moderação Bruna Lobo

 

O conceito de residência artística é contemporâneo. Apesar disso, sabemos que em tempos anteriores existiam organizações, como as bolsas e Academias de Arte, que já semeavam práticas similares. Nesse sentido, o resgate histórico pode ampliar as noções sobre características inerentes às Residências Artísticas, para além da sua inclinação formativa, mas apontar para questões fundamentais relacionadas com a criação e o deslocamento. Essa proposta não considera essas viagens como antecipações das Residências Artísticas, mas práticas sociais que enriquecem a compreensão do movimento de artistas para residências no cenário contemporâneo.

PAINEL 2 | 19.05

16h45 — Genealogias e antecedentes da Residência artística em Portugal

 

Moderação Diogo Costa

 

Do mesmo modo que o modernismo, nas suas sucessivas vanguardas, foi dominado pela projeção para um tempo futuro e pela operacionalização do conceito de ruptura, pode dizer-se - na esteira de uma análise proposta por Hal Foster (1996) - que a arte contemporânea, na sua viragem do “discurso em torno do médium para os projetos centrados no discurso” (1996:xi),  tem-se visto frequentemente enredada num presentismo sempiterno, de alguma forma quebrando uma coordenação crítica entre os eixos diacrónicos – ou dimensão histórica - e sincrónico – ou dimensão social – da arte.  Esta perspetiva ajuda-nos a compreender o motivo pelo qual uma parte dos debates e discursos construídos em torno do modelo da Residência Artística, tal como se tem afirmado ao longo das últimas três décadas, têm evidenciado resistência a leituras centradas em fenómenos de continuidade e na identificação de genealogias.  Este painel propõe, precisamente, contribuir para uma contextualização do fenómeno contemporâneo das residências artísticas em Portugal, ancorada num olhar retroactivo que – ao invés de um exercício negativo de retroversão - se possa constituir como elemento de aproximação e exponenciação de uma situação atual.

PAINEL 3 | 20.05

11h — Criação artística, Património e valorização dos territórios

 

Moderação Ana Gago

 

Em “Ten Principles of Values-Based Heritage Practice” (2019), Kate Clark destacou o crescente número de vozes, e de práticas, em torno dos Estudos do Patrimônio, provenientes de origens diversificadas, incluindo “arquitetos e topógrafos, curadores, planeadores, arquivistas, ecologistas”, entre outros. Inúmeros simpósios internacionais, projetos de investigação e/ou artísticos foram já dedicados a explorar as potencialidades, por exemplo, nos cruzamentos entre criação artística e educação patrimonial, demonstrando que os artistas poderiam, de forma inegável, ser adicionados a esta lista cada vez maior de praticantes do património.

 

Nesse sentido, os programas de residência artística parecem oferecer uma oportunidade para convocar os artistas a (re)interpretar o património, incentivando abordagens interdisciplinares e participativas. No contexto (inter)nacional, as residências artísticas de base patrimonial são, de facto, uma tendência crescente, colocando o património imaterial como leitmotiv preferencial para a criação artística e incorporando um elevado grau de interdisciplinaridade associado a este tipo de iniciativas, incluindo práticas limítrofes às das indústrias criativas.

 

Neste painel iremos abordar este fenómeno particular, a partir de exemplos concretos de programas de residência artística, desenvolvidos em contextos e com intervenientes muito distintos, ainda que tendo como motivo objetos e práticas enquadráveis do ponto de vista patrimonial (ainda que, quase sempre, não-classificadas). 

 

De que forma pode a criação artística contribuir para fenómenos de patrimonialização, associados, por exemplo, a estratégias de promoção dos territórios? De que forma pode contribuir para contrariá-los? Podem os artistas trazer novas leituras (e novas práticas) do património?

 

PAINEL 4 | 20.05

14h — Perspetivas artivistas: colaboração, intervenção e mobilização

 

Moderação Fernando Belo

 

Os artistas têm, cada vez mais, vindo a ser propostos como mediadores, para as comunidades locais e, desta forma, contribuindo para múltiplas agendas (políticas); desde a promoção da participação cultural até à promoção (cultural) dos territórios. 

 

Neste painel, iremos centrar-nos na realidade portuguesa, analisando diferentes exemplos de práticas artísticas e, mais especificamente, de programas de residência artística,  compondo uma perspetiva sobre o desenvolvimento de abordagens participativas e artivistas, desde os anos 1970 até aos dias de hoje.

 

Qual a importância de estar para criar mudança? E que mudança?

Comissão Científica

  • Fernando Rosa Dias: Professor Auxiliar, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes;

  • Laura Castro: Professora Assistente, Universidade Católica Portuguesa, Escola das Artes. Investigadora do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR);

  • Susana Gastal: Professora Titular na Universidade de Caxias do Sul.

Comissão Organizadora

  • Ana Gago: Bolseira de Investigação FCT (SFRH/BD/148865/2019) no programa de Doutoramento em Estudos de Património, no Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes, Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa;

  • Bruna Lobo: Doutoranda em Artes (Especialidade Ciências do Património) Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes,  investigadora colaboradora Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes (CIEBA) Lisboa;

  • Diogo Freitas da Costa: Bolseiro de Investigação FCT no programa de Doutoramento em Artes (Especialidade Ciências do Património) Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes; Investigador convidado do Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes (CIEBA).