21.05 | BACK OF MY HAND: Programa paralelo/Side program

— Hand Made Films
Philippe-Alain Michaud (Centre Pompidou)

— Behind One’s Back: On Visible and Invisible Hands
Sami Khatib (HfG/Beirut Institute for Critical Analysis and Research)

Moderação de Jorge Leandro Rosa

+ A sessão inclui uma apresentação de filmes de Richard Serra e Yvonne Rainer

— Hand Made Films – Philipe-Alain Michaud

Esta conferência aborda a série ‘hand films’ criada por Richard Serra no início dos anos 1970, nos quais o artista busca reconstruir a experiência do filme "com as próprias mãos", independentemente do sistema de filmagem e de projecção. Os ‘hand films’ convocam assim – além das referências que os vinculam à história do cinema (em particular a Robert Bresson) – práticas de escultura, dança e desenho.


— Behind One’s Back: On Visible and Invisible Hands – Sami Khatib

Baseando-se em Karl Marx, Walter Benjamin e Alfred Sohn-Rethel, esta palestra explora a dialéctica do “trabalho intelectual e manual”, focando uma zona de indiferença onde o virtuosismo e a exploração, a maestria e a servidão. Em “O Capital” (1867/72), Marx demonstrou como o trabalho cria valor e capital enquanto é explorado como força de trabalho. Marx fala de um processo histórico inconsciente que acontece “além das costas” das “máscaras de carácter” capitalistas que, indirectamente, determinam as vicissitudes da acumulação de capital. Este processo desvinculou-se das habilidades específicas dos trabalhadores, ao mesmo tempo que entronizou a maquinaria capitalista como o seu verdadeiro “virtuosismo”, tratando os trabalhadores como membros substituíveis. Na década de 1930, ao narrar um conto orientalista sobre um malabarista virtuoso, Walter Benjamin também refere um processo inconsciente “pelas costas”. Neste último caso, porém, o jogo e o virtuosismo não são relegados a uma maquinaria alienada, mas referem uma economia do corpo e dos seus membros. Minando a separação capitalista do trabalho intelectual e manual, no jogo mágico do soma e da psique do malabarista a “vontade abdica de uma vez por todas do seu poder em favor dos órgãos – a mão, por exemplo” (Benjamin). Tal mão não actua como a “mão invisível” liberal do mercado, mas como agente de uma economia inconsciente de interacção libertadora, suspendendo o trabalho e a instrumentalidade.


BIOGRAFIAS

— Philippe-Alain Michaud é curador no Musée National d'Art Moderne – Centre Pompidou, onde é também responsável pela sua colecção de filmes. Michaud é autor de Aby Warburg and the Image in Motion (Zone Books, 2002 e Macula 2012), Le peuple des imagens (Desclée de Brouwer, 2004), Sur le film (Macula, 2016), Âmes primitivos. Figures de film, de peluche et de papier (Macula, 2019), e escreveu extensamente sobre as relações entre o cinema e as artes visuais. Foi curador de várias exposições, entre as quais: Comme le rêve le dessin (Musée du Louvre/Centre Pompidou, 2004), Le mouvement des images (Centre Pompidou, 2006), Nuits électriques (Musée de la photographie, Moscovo e Laboral Gijon, Espanha) 2007, Tapis volants (Villa Medici, Roma e Les Abattoirs, Toulouse) 2010, Images sans fin, Brancusi photography, film (Centre Pompidou, 2012), Beat Generation (Centre Pompidou, 2016), L'œil extatique – Serguei Eisenstein à la croisée des arts (Centre Pompidou-Metz, 2019) e como curador associado: Scarabocchi (Villa Medici, Rome e Ecole nationale des beaux arts, Paris), 2022.

— Sami Khatib é professor da Karlsruhe University of Arts and Design (HfG) (Alemanha) e membro fundador do Beirut Institute for Critical Analysis and Research (BICAR). As suas publicações incluem a co-edição do volume Critique: The Stakes of Form (Zurique, Berlim: Diaphanes, 2020) e a autoria do livro Teleologie ohne Endzweck: Walter Benjamins Ent-stellung des Messianischen [“Teleologia sem fim”. Deslocamento do Messiânico de Walter Benjamin] (Marburg: Tectum, 2013). O seu projecto actual de investigação em curso incide sobre a “Estética da Abstracção Real”, examinando o escopo estético e a relevância política da descoberta de Marx da forma da mercadoria.

— Jorge Leandro Rosa é doutorado em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa. É licenciado e possui mestrado em Literatura Comparada pela Universidade Nova de Lisboa. É autor e conferencista nos domínios do pensamento ecológico, das alterações climáticas, assim como das relações entre a Ecologia e as Artes Contemporâneas no quadro do Antropoceno. É também autor de estudos e ensaios nos domínios da História do Pensamento, da Ontologia e da Estética. Foi professor universitário, tendo também leccionado no ensino superior politécnico e no ensino secundário e básico. Publicou dezenas de ensaios em revistas nacionais e estrangeiras, assim como diversos livros, de que se destaca A Impossível Experiência Final da Modernidade, Calouste Gulbenkian, Lisboa. Tem actividade como tradutor, onde se incluem autores como Jean-Luc Nancy, com quem tem colaborado em vários projectos editoriais, Emanuel Coccia, John Berger, Jacques Rancière, Georges Didi-Huberman, entre outros. Organizou diversos colóquios internacionais dedicados ao pensamento das catástrofes (Universidade do Porto, 2017), à Geopoética e à obra de Kenneth White (Universidade Clássica de Lisboa, 2019). Desde 2020, tem assegurado a selecção literária da Livraria Gato Vadio, no Porto. Foi crítico literário nos jornais Público e O Independente. Foi membro da direcção dos Amigos da Terra, cargo que exerce, actualmente, na Associação Campo Aberto. Foi representante português junto da War Resisters International, em Londres.